Profissional aderido ao Código Ético - Barcelona

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segunda-feira, 5 de junho de 2023


Ok, como se diz, sorte é curriculum,
mas o help lá do céu pede ação nossa aqui na Terra. Só esperar não estimula tua tribo celeste a se mexer, fica a dica, ta?

Bora testar, tentar, caçar, pedir, buscar, viver, criar!🥰

instagram ivana mihanovich

sexta-feira, 5 de maio de 2023

 






ATENDO UM NÚMERO MENSAL LIMITADO NESSA ABORDAGEM, ENTÃO,
SE TIVER INTERESSE, FALE COMIGO O QUANTO ANTES PARA RESERVAR VAGA

CONTATO pelo Face, Insta ou





sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

2021: MUITO OU DEMAIS?

Imagem em www.pinterest.at/pin/316377942549783902


Depois do absurdo deste ano conturbador, difícil ser sucinta ao pensar sobre o ano que vem. Como Belchior, o que penso sobre 2021 é que “vejo vir vindo no vento cheiro de nova estação”, com tudo o que isso pode significar.
Entendo que a ferramenta com a qual teremos que lidar, ano que vem, é O Mundo. O arcano XXI é, em geral, visto como algo maravilhoso, mas penso que essa é uma análise superficial, quando paramos para refletir sobre seu universo de conceitos: fim de etapa, dança e celebração, integração com a vida e com o todo, festa de conclusão, viagens, a conexão com o que há para além do nosso cotidiano... Esses são alguns atributos que falam do que considero seu luminar. Porém, seu lado sombra (e a sombra de todo arcano anda sempre junto, posto serem as partes que, integradas, compõem o todo, exatamente como se dá conosco), aponta dispersão, falta de visão, euforia e posterior anticlímax, alienação, excessos, esgotamentos e, como em quase toda festa, a possibilidade de alguns arrependimentos e... ressacas. De modos que a primeira pergunta que poderíamos nos colocar é: De que forma vivemos uma festa? De que forma EU vivo festas? Na verdade, de que forma processo as celebrações e os finais?
O ano de 2020 abalou profundamente a todos nós. A psique não suporta o isolamento, a ausência das relações afetivas e fraternas, a solidão forçada, a cela onde o cenário é sempre igual, a imobilidade, o home office que não permite mais o café com o colega. Não por nada em cada dez nove pessoas aumentaram de peso, beberam demais e, literalmente, quase morreram de medo. Crianças surtaram, adultos surtaram, o aumento dos casos de depressão, violência doméstica e suicídio foram alarmantes. Viramos hordas de apavorados, perdidos, e, portanto, extremamente vulneráveis à desinformação e aos falsos profetas. Lidar com informação e contrainformação alternando-se diariamente é literalmente enlouquecedor. Fomos confrontados com os mortos pipocando em meio aos vivos e forçados a contemplar nossa própria finitude – não mais como uma lenda urbana, mas como fato.
Este ano (como calculei, posto ter considerado que a ferramenta que nos seria colocada seria O Julgamento), fez-nos uma convocação: A vida tem fim; quem é você? Para quê está aqui? Vive de acordo com sua real natureza ou arrasta-se seguindo os outros, desperdiçando a si mesmo? Que sentido percebe em sua encarnação?
Acima de tudo, a meu ver, 2020 nos deu um ultimato existencial. Ano que vem, portanto, deveria ser a celebração e o júbilo pelo afrouxamento da tensão que se segue a tão rica, porém dura avaliação. E, penso, em alguns sentidos o será.
Sabe-se mais como tratar o vilão. Perdemos menos pessoas para as intubações precoces do que em Março e Abril. Aprendemos quais medicamentos podem ser aplicados antes de apenas enfiar alguém num respirador. Hoje, sabemos mais.
Mas o problema é que o ser humano é, sempre que pode, egocêntrico e superficial. Porque sabemos mais, cuidamo-nos menos, arriscamos mais. Esse é um dos nossos grandes problemas e que, creio, aumentará em 2021: a negligência que advém do rompimento do dique de tensões e de uma ótica fragilizada e ávida por prazeres.
Penso que o primeiro semestre, especialmente a partir de Março/Abril, trará, sim, pese à exaustão geral, a sensação de festa próxima, uma alegria antecipada pela esperança e alguma provável ilusão, emoções comuns à exacerbação dos ânimos pelo afrouxamento do cativeiro. Vacinas, para muitos, trarão a exaltação dos temperamentos, a nova estrutura que foi apresentando-se ao longo de 2020 será revisada e então definitivamente implantada (mundialmente, aliás) nas dinâmicas de trabalho, nas relações sociais e afetivas, nos planos de vida. Como nos primórdios da aids, tanto casais quanto empresas pedirão testes e isso será visto como algo bom; ter um teste negativo será quase um novo status. Facilmente esqueceremos o caos e a convocação existencial de 2020 e a transformação profunda que ele trouxe ao mundo. Por um tempo, essas novas diretrizes nos darão a sensação de relaxamento pelo retorno a alguma ordem.
Como disse, no geral isso será bem-vindo. Mas o conceito do arcano XXI de “finalização” aplica-se a muito mais. A economia deve sofrer mudanças significativas, para não dizer radicais; serviços básicos tendem a colapsar; a liberdade individual ainda sofrerá com a catequese do “bem comum”; a violência que surge numa turma animada demais pode eclodir, como os bêbados felizes que ao saírem dos bares arranjam encrencas justamente porque estão sob uma euforia esmagadora; o antagonismo da dualidade separatista que ancorou entre nós há alguns anos pode chegar ao ápice. Vendavais, chuvas fortes, raios e trovões e tremores de terra também devem aumentar. Claro, isso ocorre sempre, mas O Mundo traz os 4 elementos em seus símbolos e, nesta minha meditação, eles aparecem como uma indicação de que precisamos ficar especialmente atentos.
Para quem trabalha com cabeças e emoções, 2021 deverá ser especialmente complexo. Quem aplica profissionalmente abordagens terapêuticas, seja de áreas Psi, oráculos ou outras terapias, acredito, trabalhará mais a partir de Março/Abril. E verá que será muito difícil fingir que não detecta, em seus clientes ou pacientes a priori recompostos e confiantes, as rachaduras psíquicas, as frestas mal tapadas, as angústias e ansiedades transbordantes, a sensação de perda de sentido, mesmo quando aparentemente tudo na vida do cliente finalmente “voltou a ir bem”. O que acontece, a meu ver, é quem não foi capaz de elaborar e adequar o que 2020 trouxe e que, assim despreparado, entrar na “fase festa” de 2021, não entenderá porquê não se sente bem, já que agora que “tudo ficou em ordem”, na prática nada parece estar em ordem e ele continua a sentir-se apreensivo, ansioso, angustiado etc.
Precisamos, antes, compreender melhor o que nos aconteceu. Crianças e adolescentes foram forçados a olhar para a vida por um viés torto: o do terror diário. E é essencial entender que não, não é ok crescer pensando que seu amigo pode ser o portador de algo nocivo. Não é ok crescer temendo o mundo e a vida, temendo pacotes de supermercado, temendo existir sem máscara. É simplesmente fatal e modificador, neurologicamente inclusive. E, também para os adultos, a descarga de adrenalina e cortisol foram constantes e isso afeta nocivamente mente e corpo.
Ano que vem esses dois desvios históricos do caminho humano, o advento do universo digital e o mundo pandêmico, estarão unidos dentro de muitos, transbordando mentes e trazendo a melancolia da frustração pelas consequências de algumas mudanças, como, por exemplo, a questão das interações sem raiz. A somatória desses eventos (mundo digital + pandemia) intensificou a insegurança dos pseudo contatos afetivos (Tinder etc) bem como as relações absurdamente impessoais no campo profissional que o home office impõe. E, uma vez que se cruza o limiar e nos sentimos autorizados a descartar pessoas apenas por caprichos e impulsos (o que já vinha ocorrendo, mas que 2020 praticamente ratificou), é difícil retornar ao ambiente interativo mais humano ou “analógico”, porque ele implica em autenticidade e responsabilidades, enquanto o digital permite avatares mitômanos e total descaso ou desconexão.
Porém, sempre digo que sou acidamente realista, mas sou fundamentalmente otimista. Pese a todas as penumbras que vislumbro por trás de uma primeira alegria, sei por experiência que é possível acessar um arcano e lidar com ele trabalhando para amplificar seu luminar e amenizar sua sombra. E tenho visto muitas pessoas sensatas abordando as mudanças de formas criativas, humanas e empáticas. E, se um bater de asas pode provocar um tsunami, cada ser que for capaz de viver o júbilo da mudança sem se perder no seu complementar radical, elevará seu entorno. Prevejo, inclusive, que mesmo dentre os que discordamos, mas cujo intuito nos iguala em relação à melhoria do ser, haverá uma conexão benéfica que atuará como moderador de festas, permitindo o desafogo e a celebração, mas impedindo a dispersão e o descontrole.
Em 2021, portanto, minha sugestão é que você procure, sim, todas as formas de sentir-se feliz novamente, porque é uma liberação merecida e conquistada. Mas interceda, exatamente como numa festa, de forma alegre e fraternal, quando vir alguém pirar demais em meio ao barulho da banda e ao descalabro da rua. Não é patrulha; é só temperar e equilibrar para o mundo não entornar.
De toda essa travessia feita a duras penas pelo vale da morte de 2020, no fundo a maioria de nós emergiu uma pessoa mais consciente do outro lado. Agora, comemoremos tudo que for possível. Mantenha uma escuta respeitosa, adapte-se aos novos tempos e reabra interações presenciais ainda que cuidadosas, porque elas serão mais necessárias que nunca.
Abra a cabeça, pense grande novamente, planeje novos caminhos e celebre o game de estar vivo. Volte a desejar, volte a não temer. Nem muito nem demais, apenas alcance a justa medida do júbilo. Então haverá algum tempo de rir, um prêmio pela superação.
Ivana Mihanovich
Taróloga, tarô-terapeuta, escritora, publicitária, estudante autodidata de Psicanálise e Psicologia Analítica, capacitação em Neuropsicologia.
Texto originalmente publicado no site Clube do Tarô: http://www.clubedotaro.com.br/.../previsoes-2021--muito...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

2020, ANO PARA OUVIR, AVALIAR E ATENDER




OBS: Antes de tudo, para entender por quê não uso a redução teosófica (somar os números do ano e reduzir) quando reflito sobre o tom tarológico do ano, por favor veja textos meus de anos anteriores onde explico essa questão (tem no Clube do Tarô).

O ano de 2020, para mim, traz, não como “regente definidor”, mas como ferramenta essencial, O Julgamento. Carta vista como solene, dura e assustadora por muitos, este arcano, descartados os contraproducentes dogmas das religiões formatadas que, de resto, nem fazem parte da minha formação, fala, em seu lado luminar, da percepção esclarecedora de quem realmente somos, bem como do reflorescimento ou ressureição que disso podem decorrer. Julgamento alerta para a profunda importância do entendimento do que é uma convocação existencial, bem como da questão da vocação pessoal.

Não gosto de abordar o tarô coletivamente pois ele se apresenta, dentro da minha abordagem, infinitamente mais rico, acurado e produtivo quando aplicado individualmente e dentro do específico contexto do leitor. Mas posso presumir que, num mundo em convulsão como temos hoje, Julgamento efetivará o que o ano do Sol (2019) deixou visível. O problema, penso, é que estamos num limiar extremamente frágil, onde podemos ancorar mudanças radicais que nos tornarão verdadeiramente mais humanos, empáticos, igualitários e menos materialistas e epidérmicos; mas podemos, também, cair no engano de permitir a imposição de um estado tecnocrático, normatizador e robótico, que parecerá ter colocado ordem na bagunça, mas que na verdade apenas alijará, ainda mais, as cúpulas das massas e nos tornará um bando de fofoqueiros vigiadores do alheio, feito os denunciantes na Alemanha da Segunda Guerra ou os crucificadores adolescentes na China de Mao. Deixo, no entanto, ao saber do Mistério a etapa seguinte do planeta, assim como seus porquês, e concentro-me no trabalho do indivíduo, pois entendo que é da molécula que se faz o todo.

O encaixe das peças do nosso quebra-cabeças pessoal, peças que vamos apanhando ao longo das experiências, reações, sentimentos, processamentos internos, motivações subliminares etc se dá, a meu ver, no campo deste arcano. Tal encaixe, evidentemente, não pode dar-se de forma leviana ou superficial e, menos, sem a disponibilidade pessoal a uma avaliação isenta de todas essas questões, conscientes ou não, que vão dirigindo nossos caminhos. Nesse sentido é, sim, solene, por ser momento de seriedade ao lidar consigo mesmo. Porém, mais do que “colheita do que plantamos” no sentido de castigo, com aquele tom habitual de “agora a cobra vai fumar”, o XX abre o potencial de “sairmos do armário” em todos os sentidos.

N’O Julgamento somos chamados a sair do mundo dos mortos. Penso que isso é o fundamental: estamos vivendo como realmente acreditamos ser o viver? Viemos até este momento seguindo ditames anímicos, particulares? Ou vivemos como dizem que se deve viver, aninhando-nos no padrão do rebanho, deixando escondidos nossos sentidos mais genuínos, nossos desejos mais verdadeiros, nosso bliss, como diria Joseph Campbell? O que fazemos é fruto de quem somos ou você criou uma identidade profissional e atua tendo isso como referência e não a si mesmo?

Não raro, ao perguntar a alguém “Quem é você?” a resposta começa com “Eu sou engenheiro (ou médico, ou bailarino etc)”, quando na verdade sua profissão não define quem você é, apenas fala do que você faz como auto sustento. Vocação é ouvir um chamado e não necessariamente tem a ver com habilidades. Uma resposta mais adequada seria “Eu sou uma pessoa que preza a paz de estruturas sólidas, que tem necessidade de expressar-se em formas grandiosas, que aprecia tornar concretas certas ideias, por isso escolhi ser engenheiro”, por exemplo. Mas poderia ter sido pedreiro, carpinteiro, produtor de eventos grandiosos como shows ou casamentos etc. Ou “Eu sinto o desejo de tornar emoções em expressões corporais, realizo-me quando alcanço a demonstração de um sentimento num movimento, por isso escolhi ser bailarino”. Mas poderia ter sido mímico, diretor de cinema, ator, fotógrafo etc.
O arcano XX convoca: é hora de ouvir, avaliar e atender ao chamado da sua vida, justamente porque a vida terrena não é eterna. Costumamos deixar para o futuro anseios pessoais, em prol de caçar o que é valorizado dentro de um sistema que prioriza a matéria e a posse: estabilidade financeira, medidores de sucesso (títulos, cargos, casamento, filhos) etc. Vivemos como as crianças que comem primeiro o espinafre para só então terem direito à sobremesa. Mantemo-nos, em geral, seguindo o padrão do “dever primeiro, o prazer depois” (e isso se ele for possível, caso contrário contente-se com a promessa de vida eterna e aprazível, nalgum lugar vago e improvável, depois que você morrer...). A maioria deixa para ser quem é, criar e expressar o que efetivamente sente quando se aposentar, ou quando alcançar certo montante de dinheiro como reserva, ou quando os filhos crescerem, ou quando os pais morrerem e por aí vai. O resultado, como se pode imaginar, é o que mais vemos por aí: vidas pequenas, caminhos aquém dos talentos, objetivos michos e, o pior, frustração e desalento especialmente na terceira idade.

Arcano XX parece berrar que a hora é agora. 

Conexão consciente com o presente é vida vivida e fruída no momento em que ela ocorre e alinhada com os seres únicos que somos. Viver é consciência aplicada no ato do viver e não o adiamento pela presunção teórica de um futuro onde então poderemos viver. Lembre-se: não há, em todo o planeta, absolutamente nenhum ser igual a você. Você é único e tem algo único a oferecer e realizar. E passos falhos passados não definem seu caminhar eternamente, são aprendizados apenas. Porém, têm que servir para escolhas melhores no agora ou terão sido um desperdício do seu próprio viver.  
Então pergunte a si mesmo: Você tem feito escolhas e vivido de forma coerente com seus desejos mais elevados? Somos orgânicos, seres em constante transformação. Os princípios que guiaram seu foco até este momento ainda são válidos? Você ainda é quem era há alguns anos para seguir vivendo como vivia então? O que você realmente deseja produzir, criar, expressar e experimentar durante esta experiência sublime que é a encarnação? Fundamental: O que te dará a sensação de júbilo, completude e satisfação quando a trombeta derradeira soar?...

Este ano, minha sugestão é que façamos essa avaliação e que abracemos a coragem que advém de aceitarmos a inexorabilidade da finitude para completar esse encaixe das partes que nos tornam um ser incomparável – e sê-lo! Um ser capaz de alçar-se acima da mediocridade e da baixa vibração e que, assim, pode melhorar, também, o entorno.
Dirigentes mundiais nos estrepam ou acolhem a seu bel-prazer e será difícil mudar isso, como a História comprova. Mas na matrix do seu caminho individual, que é o que realmente importa diante do Mistério, é você que produz a maior parte do caminho. Portanto, sofistique o entendimento de quem você é, humanize sua interação e viva de forma mais amorosa e inteligente, consigo e com os outros. É essa a forma mais elevada espiritual e concretamente de nos prepararmos para a próxima etapa, tanto individual como coletivamente.
Spoiler: 2021 vai finalizar um ciclo, a meu ver. Em sua vida particular isso poderá abrir a celebração ou a dispersão. Será completude e o início de uma nova e boa fase, ou será angústia e perda de sentido. Use 2020 para se entender e vá ser, finalmente, o que veio ser.

domingo, 15 de dezembro de 2019

AOS CLIENTES, FELIZ NATAL!!




Termino 2019 enfrentando conclusões inseguras, avaliações implacáveis, dúvidas que desconcertam. Começo a fechar este ano e me vejo precisando pensar em coisas boas, esperar por elas, acreditar nelas. Acima de tudo, preciso acreditar que meu caminho está correto, que os frutos que vejo são reais e não apenas desejos.
Eu sou uma mina de rede (ou de facebook, vai, porque o instagram não me convence e olha que eu tento...rs).
É ali que divulgo meu trabalho, meus livros, minhas ideias. É ali que muitas vezes rio, me enterneço ou choro. Acompanho histórias e situações de pessoas que, na verdade, desconheço, mas que esse estranho mundo virtual nos coloca perto.
A rede não é, para mim, um lugar desagradável, ao contrário. Pese aos toscos que sempre há em qualquer lugar, eu vejo gente interessante, pessoas boas sendo boas e melhorando o que dá pra melhorar. Leio gente inteligente e percebo muitos batalhando honestamente pelo que lhes toca o coração.
A rede me lembra o rio Ganges, sabe. Quando lá estive, primeiro fiquei chocada: a água era pútrida, viscosa, um cuspe gigante (imagem nojenta, mas pode acreditar, é isso aí). Mas também tinha o nascer do sol mais esplêndido, um sol gordo, laranja e dourado, imenso e parecendo ao alcance da mão. Gente sorrindo feito festa e saris coloridos cintilando feito flores logo cedo. Leprosos nas escadas e homens devotos meditando. Cremações públicas e a fumaças pungente do que um dia foi uma pessoa e sua história e, logo ali ao lado, crianças felizes, aprendendo a receber o dia com orações e risos. O Ganges é a definição de sublime do Joseph Campbell: o terrível e o divino a um só tempo.
A rede é igual. E hoje faz parte da vida como a bipolaridade do Ganges faz parte da Índia. O rio e a rede são um espelho da vida, porque é o que somos: o terrível e o maravilhoso em eterna coexistência.
Meu trabalho este ano focou em ancorar um sistema novo de atendimento, o TSO - Tarô de Suporte e Orientação. Um sistema que exige muito mais de mim, porque demanda um cuidado imenso em avançar na forma de aplicar o tarô, mas atenta para não invadir áreas que não me pertencem. Mas esse é um sistema que também exige muito mais do cliente. Ele tem que estar disponível por 4 semanas e, pior, tem que confiar em que há sensatez na minha loucura.
E penso que o caminho do tarô é difícil. Há um imaginário popular todo errado que me dá um trabalho cão desfazer; há colegas seguros que são generosos e com quem se pode contar, mas há os que recusam visões diferentes e tentam te diminuir; há a soberba de alguns que me faz revirar os olhos de tédio e a humildade inteligente de outros que realimenta e estimula; há a insegurança de todo freelancer e um fim de ano sem as alegrias de um décimo-terceiro corporation. Tarólogo não tem isso e também não costuma ganhar cesta de Natal, é a gente mesmo que tem que se virar pra descolar o peru...rs.
Mas eu passo a régua em 2019 extremamente grata, porque como o que é do homem o bicho não come, a vida me traz, sempre, clientes especiais. Pessoas de coragem e força, cabeças e corações brilhantes, de uma bravura enorme ao olhar pra si mesmas e de uma generosidade ímpar em me permitir participar desses caminhos.
À todos os que papeiam comigo por lá ou me seguem aqui, sou honestamente grata pelo afeto, críticas e debates e lhes desejo um divino Natal. 
Mas aos meus clientes desejo mais que isso: que tenham um Natal diferente dos anteriores e muito melhor. Que seja fruto de tudo que refletimos, experimentamos e descobrimos juntos. E que 2020 lhes seja o ano de renovação, liberação, sucesso e renascimento que merecem, porque o conquistam a cada passo que demos (para quem já fechou seu ciclo comigo), que estamos dando (para quem está comigo agora), ou que daremos (para quem vier a seguir). 
Força na peruca, povo amado! 



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O QUE É O TSO - TARÔ DE SUPORTE E ORIENTAÇÃO


Criei o TSO - Tarô de Suporte e Orientação como proposta diferente de trabalho com o tarô. 
Quatro consultas, uma por semana, sendo que na primeira leio o método Roda Astrológica, detectamos 2 ou 3 pontos fundamentais para trabalhar e então montamos uma estratégia priorizada para lidar com esses pontos de forma concreta e focados em desatar esses nós. Nas 3 semanas seguintes, leio meu método Pontual para checarmos como a aplicação dessa estratégia se deu, o que foi produtivo, o que pode ainda ser polido etc. 
O que pretendo é um caminho de suporte e conscientização de si mesmo que absolutamente não se pretende psicoterápico, mas que é de esclarecimento ou tomada de consciência em camadas menos profundas ou sentimentos menos complexos do que o que uma psicoterapia atinge. É para quem não quer, não pode ou crê que não precisa do trabalho profundo de uma psicanálise, por exemplo, mas quer decidir coisas, liberar limitações sobre as quais está ciente, ou saber mais sobre si mesmo e como abrir espaço para mudar ou viver como quer viver. 
[MAS... Novamente, atenção:  eu não sou psicóloga, psicanalista, psicoterapeuta!! Sou especificamente taróloga (e tenho uma capacitação em Neuropsicologia). O TSO não substitui essas abordagens, nem pretende ter as ferramentas que essas linhas têm. ]
O valor promocional para os primeiros clientes já não está mais disponível, mas, ainda assim, o valor pelas 4 consultas ainda está bem abaixo do que se fossem avulsas (e dá pra parcelar ;) ). 
Informações pelo email mihatarot@gmail.com  ou pelo inbox no facebook: https://www.facebook.com/ivana.mihanovich.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Lendo pra você





Para eu saber de você, tenho, antes, que saber de mim. Tarô é passear por dentro, mas de mão dada. Por dentro do arcano, do método, da angústia ou dúvida. Por dentro do ser. Quem pensa que ler tarô é dizer apenas o que significam as cartas, ainda não entendeu que tarô de excelência é o que tem coerência no universo dos dois sujeitos e na dinâmica que aí se monta. Ele tem que levar luz a quem pergunta, mas torna-se híbrido se quem o traduz não o compreende para além do mecânico. Um arcano jamais será exatamente igual em cada leitura; um mesmo conceito humaniza-se, particulariza-se, no contexto de cada indivíduo. Reside aí a arte verdadeira do instrumento e, a meu ver, a esfera do sublime que ele inclui. Ler para você, por você, com você, juntos: o tarô, você e eu. Meu papel vai além de conhecer as cartas: eu devo entender que língua você fala, para que a tradução faça real sentido, sentido dentro do teu universo único, pessoal, especial. A eventual “fuga” de um Carro torna-se autodefesa em um, escapismo em outro, estratégia num terceiro; O Julgamento será pecado e preço para quem tem formação judaico-cristã, o surgimento do ser autêntico em quem não depende de um pai-deus, a ressurreição espiritual planetária para quem só compreende o indivíduo dentro de um todo maior. O Mundo é belo e é término; é júbilo e é dispersão; é alcance e é demais-da-conta.
Quando leio pra você, leio entendendo você e buscando o melhor caminho para a sua mente e o seu coração.

quarta-feira, 5 de julho de 2017







A aceitação do júbilo é a aceitação de merecimento. Diferente de “ficar se achando”, que é o reverso da medalha, aceitar o merecimento é ter consciência de que tudo é efêmero, mas aquele é, sim, um momento bom. E seu.



Temos que  aprender a não pirar nos excessos e também a saber com quem compartilhamos as celebrações, mas, acima de tudo, precisamos, urgentemente, voltar a acolher a alegria mesmo entendendo que nada é eterno. Precisamos voltar a rir sem temer o depois.



terça-feira, 11 de abril de 2017

VEREDAS DO TARÔ

FIZ ESTA SÉRIE DE RELAÇÕES ENTRE CAMINHOS OU VEREDAS COM OS ARCANOS MAIORES DO TARÔ EM 2013 OU 2014. 
COMO SEMPRE INSISTO, O TARÔ ESTÁ NA VIDA, PARA ALÉM DAS CARTAS. 

A MEU VER, SE NÃO PUDERMOS PERCEBÊ-LO AÍ, DE NADA VALE APENAS MANIPULARMOS PEDAÇOS DE CARTÃO COLORIDO. 


PARA QUEM JÁ CONHECE O TARÔ, ESTE É UM EXERCÍCIO INTERESSANTE, ACREDITO. PARA QUEM NÃO TEM NEM IDEIA DO QUE ELE SEJA, ESTA É UMA APRESENTAÇÃO DE COMO PODEMOS REFLETIR SOBRE ASSUNTOS IMPORTANTES EM NOSSAS VIDAS PARTINDO DE IMAGENS SIMBÓLICAS, SEJAM ELAS DE ORÁCULOS RECONHECIDOS OU NÃO.


SABER MAIS SOBRE SI MESMO E SENTIR-SE MELHOR A PARTIR DISSO DEMANDA APENAS UMA COISA: INTERESSE. É ISSO O QUE O TARÔ FAZ: TE LEVA POR VEREDAS LÚDICAS, FAZENDO VOCÊ SE ENTENDER MELHOR SEM EXCESSIVA GINÁSTICA.


AÍ NA LATERAL DIREITA TEM TODAS AS VEREDAS E PORQUÊ ESCOLHI CADA UMA DELAS. CLIQUE NAS QUE QUISER E PASSEIE COMIGO.



ACHO QUE VOCÊ VAI GOSTAR :)




quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

2017, o ano d'A Estrela



2017, o ano d’A Estrela
Ivana Mihanovich

“No tarô Egípcio essa carta se chama, justamente, A Esperança” e no Mitológico ela conta o mito de Pandora, cuja curiosidade fez com que se espalhassem os males no mundo, mas que, por outro lado, também nos deixou a esperança. Quem mantém a esperança, na verdade tem em algo, crê absolutamente, conta com algo. Aquele que está na expectativa já vibra no aguardo do que deseja e creio que esse estado de espírito é o que pode favorecer a realização do que se espera.

Através de Joseph Campbell ouvi pela primeira vez a frase Follow your bliss, que pode ser traduzido por ‘Siga aquilo que te realiza, tua beatitude. Esse pensador brilhante também disse que, quando o fazemos, o caminho passa a fluir naturalmente. Outros estudiosos também afirmam que quando focamos coerentemente aquilo que desejamos, o Universo conspira a nosso favor. A complexidade está em realmente encontrarmos nosso bliss ou, melhor dizendo, em reconhecermos qual é ele, genuinamente. Tantas vontades confundem-se com vocações que invariavelmente nos queixamos do quanto o universo absolutamente não conspira a nosso favor, mesmo quando pensamos estar firmes na perseguição de nossos desejos. Bem, creio que vontades e desejos muitas vezes podem ser apenas frivolidades ou teimosias e então não são, absolutamente, o mesmo que vocão ou sentido natural. Assim, não traduzem automaticamente nosso bliss. Portanto, para seguir nossa ppria estrela penso ser fundamental, antes, que saibamos discernir, na bagunça mental entre o que os outros dizem que devemos querer e aquilo que pensamos desejar, o que é que verdadeiramente nos alimenta e engrandece, isto é: o que nos beatifica.”

Os excertos acima são do meu livro “Tarot Luminar – Refletindo Sob as Luzes dos Arcanos Maiores” e usei-os para abrir esta reflexão porque contém o que acho essencial para entendermos a ferramenta que 2017 nos apresenta na busca de auto integração: descobrir nossa posição em relação à conexão espiritual (para saber de que forma entendo e calculo a questão do arcano do ano e afins, veja textos meus de anos anteriores, por favor).



A Estrela é discreta e, muitas vezes, subestimada, especialmente porque ela não indica que a vida vai ser uma farra. Mas, na verdade, ela contém uma das reflexões mais essenciais da vida. Penso que em 2017 ela vai colocar à prova nosso entendimento espiritual ou filosófico sobre o viver. Outro dia comentei, num on line que dei sobre Tarô e felicidade, que Jung imaginou certos fatores geradores de felicidade e, dentre eles, estava a necessidade de termos uma linha filosófica ou religiosa que nos auxilie a lidar com as dificuldades da vida. Ainda que em seguida ele tenha percebido o paradoxo inerente, pois mesmo tendo todos esses fatores satisfatórios não haverá garantia de felicidade, a ideia permanece válida: quem tem convicções filosóficas ou religiosas tem onde se segurar, quando a razão deixa de bastar. Quem crê que tudo é um acaso ou, do outro lado, quem acredita que tudo será resultado unicamente do exercício da própria vontade fica, em qualquer dos casos, mais facilmente desencorajado, especialmente quando a vida não flui bem. Esperança, portanto, é algo que revitaliza, renova o gás.

O detalhe capcioso estará em sabermos não apenas em quê acreditamos, mas que motivações se escondem por trás disso. É momento de começarmos a lidar mais profundamente com as razões que nos fazem crer ou, ao contrário, descrer completamente. Há um fato: o mistério do existir. Por mais que a ciência se esmere, nunca alcança saber realmente a troco de que toda esta fantástica história acontece. Esse mistério faz parte de nós; sentimos instintivamente essa questão. Ainda que seja possível passar a vida toda completamente descrentes ou considerando o tema como algo irrelevante, o fato é que na hora da morte, que interessantemente chamamos de “hora da verdade”, a coisa fatalmente se apresenta. As investigações da Dra. Elizabeth Kübler-Ross bem o demonstram, por exemplo. Particularmente, eu sempre acho que o descarte absoluto dessa reflexão torna o ser mais árido e sua vida idem. Mas, evidente, cada um saberá de si, ou melhor: será convocado a saber. O arcano XVII vai facilitar o contato com o tema, sugerindo definir mais claramente quem é você diante desse mistério.

A Estrela caminha solitária e, portanto, a consciência da inexorável solidão do ser vai reverberar mais intensamente. Os que já caíram na real em 2016, acolherão a ideia com mais desenvoltura; os que insistiram em lutar contra a maré neste ano de desconstruções tenderão à desistência ou ao desalento. Assim, muitos entrarão em 2017 absolutamente desesperançados; uns poucos entenderão que a reconstrução se faz, antes, individualmente e trabalharão por isso. A Estrela espera que você descubra de que jeito se conecta com a vida: pela confiança na boa estrela ou pela crença no des-astre, a ausência de astro?



Pela cintilação da questão espiritual e da possibilidade de proteção estelar, contraposta à sua sombra, que aponta o cinismo, o ceticismo tacanho e o risco das ilusões, penso que 2017 pode recrudescer em grupos com tônica religiosa, a maior parte deles totalmente destituídos de intuito genuíno, mas que convencerão os que temem o contato com essa solidão inerente ao ser. Quem morre de medo de entender e acatar essa condição cabal do ser humano correrá para “andar de turminha”, usando como desculpa a passionalidade de causas comuns. Mas perceba: tônica religiosa não implica apenas em grupos religiosos ou místicos; era uma ilusão presente também na formação de grupos políticos como os nazistas e fascistas na década de 30, bem como nos grupos radicais de comunistas, feministas, racistas, antirracistas etc. Radicalização, busca de Judas a malhar e fanatismo fazem parte da sombra estelar. Fique atento para não entrar nessa vibração nociva.

A Estrela precederá o ano da Lua e esse, já intuo, não será bolinho, para dizer o mínimo. Mas acredito firmemente que o que fizermos de nós em 2017 vai definir muito da proteção que teremos em 2018. Acredite: há algo maior que sua vontade e que é um guia infinitamente superior, se você permitir. Encontre isso. Não precisa ser um deus, não precisa ser uma entidade; pode ser o que já se chamou de Eu Superior, pode ser a alma, pode ser simplesmente a mente bem integrada. Uma coisa é certa: o melhor guia não é (nem será) um ego absolutista, garanto.

Encontre, dentro ou fora de você, o que há para além do seu eterno “eu quero” e que te relembra que há muito mais coisas entre o Céu e a Terra do que apenas parcelar o iPhone. Acreditar absolutamente na boa estrela a estabelece pela prática. Isso não significa nunca sofrer; significa ter estímulo, amparo e orientação, nos bons e nos maus momentos. Há quem ache brega acreditar em algo espiritual. Desculpe, mas, sabe, descrer não blinda você de sofrer. Ser alguém que se considera intelectualmente superior a esses assuntos tampouco te impede de viver a dor, nem te deixa a salvo do medo ou da solidão.

Ano que vem, aprenda a frear sugestões do seu lado mais sombrio, o lado que teme, inveja, busca culpas alheias, alimenta ressentimentos antigos, quer que todo mundo se estrepe junto com você e que, no fundo, se alimenta de dor. Volte a falar com a Vida, com deus, com deuses, com seja lá o que for que você acredita que te conecta com o mistério (seu psicanalista, inclusive) e largue o osso do apego a erros e sofrimentos passados, porque isso é só autoflagelo; não absolve, não redime, não resgata. Libere, como Pandora, seus males de dentro de você e converse com a esperança que fica; ela te recolocará no caminho.

Procure entender, mas entender realmente, que o macro é feito dos micros. Sinta seu verdadeiro bliss e siga-o. Em vez de tentar convencer os outros aos seus parâmetros, apenas brilhe naquilo que é seu real talento, seu dom – e deixe que o mistério faça o resto. E saia de perto de quem confunde maliciosamente, envenena ou distrai, porque equilibrar joelho no chão e olhos no céu demanda silêncio interno.

Finalmente, reaprenda a confiar, mesmo quando lá fora tudo parece acabado ou parado.  E compreenda que a interação entre você e esse deus que é o mistério da vida projeta muito do que você vive no dia a dia. É difícil, diferente do que nos ensinam e trabalhoso, eu sei. Mas não é mágica; é equação.